Monday, 2 April 2012

MORGANA

Morgana was a torch-song singer launched in 1958 by Copacabana Discos to cash in on the so-called Maysa phenomenon that had taken hold of Brazil as of 1956. Maysa had been a high-society young lady who decided she wanted to become a pop singer. She left her rich husband and signed a contract with independent label RGE Records. Soon her records were being broadcast throughout Brazil and Maysa became the hottest act in town. 

Morgana was also a voluptuous lady with the added attraction that she was blonde - whether a bottle blonde or a genuine one it does not matter! Her real name was Isolda Correa Dias. She was a middle-class young lady from Mooca, a São Paulo working-class suburb, differently from Maysa who had come from the upper class. 

Morgana was lucky enough when 'Serenata do adeus' (The goodbye serenade) her very first record went straight to #1 in the charts. Vinicius de Moraes' tune was a beautiful, plaintive ballad that showed Morgana was not only a pretty face but a good singer. 

Fata Morgana at the height of her health and charm... August 1959.
Morgana at Gazeta Esportiva, September 1958. 
Morgana é o nome da mais recente revelação do mundo de nosso radio, TV, discos e vida noturna. Destacou-se na interpretação de repertório nacional quanto norte-americano. Radio Nacional e TV Paulista ofereceram à nova estrela um programa exclusivo, transmitido em rede ela G-9 e Canal 5, às 2as feiras, sob o título 'Esta é Morgana'. 
Morgana sings at a night club in Fernando de Barros' 'Moral em concordata' - 1959. 
Morgana sings while Maria Della Costa, as a chorus-girl, performs her routine in 'Moral em concordata', a film based on a play by Abílio Pereira de Almeida. 
a scene from 1959's 'Moral em concordata'.
Fernando de Barros' 'Moral em concordata' premiered at 23 November 1959, at Cine Paisandú.
A beautiful Morgana with a very young Agnaldo Rayol; both recorded for Copacabana Discos. 
Radiolandia #338, 15 October 1960; Morgana is the centre of a brouhaha involving her husband and a few stone-thrower delinquents. The case ended up in a local police station.
Morgana & her husband Amaury pose for a photo at 'Revista do Radio', 3rd October 1959, a few weeks after their wedding in Uruguay. He must have been married before. Divorce was not allowed in deeply Catholic Brazil, so couples who wanted to have a second chance would fly to Uruguay to say 'yes' again. 
Morgana plays the sweet wife to Amaury. 
'Morgana, a cantora vigarista': cries out the headline on magazine 'Escândalo' in 1962: 'Morgana the swindler songstress!'. Her troublesome husband tried to swindle some business people and was caught hot-handed. 
in 1973, Morgana started a pizza-delivery business with her husband Amaury. Here's Morgana making a pizza especially for 'Ultima Hora's journalist in 1991. 
Morgana e seu 'bolo-de-noiva'.
Fernando Cesar's 'Palavras ao vento' music-sheet.
Isolda Corrêa Dias aka Morgana

Cantora e professora primária.  Nasceu a 2 Agosto 1934, em São Paulo.  Filha de Geraldo Corrêa e Maria Helena Franco.   

Fêz curso completo de ballet na Escola de Bailado da Prefeitura de São Paulo;  estudou canto e piano no Colégio Cristovão Colombo (1943). Estudou no Colégio Estadual Alexandre de Gusmão in 1946. Continuou os estudos no Conservatório Musical Carlos Gomes;  estudou canto com o Maestro Tobia Perfetti.  Querendo instruções mais diretas do assunto estudou também com Zaira Bianchi.  Tem conhecimento de inglês, italiano, francês e espanhol.

Morgana começou sua carreira como cantora lírica, atuando nesse setor por 7 anos. Em 1958, passou a se dedicar à música popular, inicialmente se apresentando como Morgana Cintra. Obteve grande sucesso com a primeira gravação: "Serenata do Adeus", belíssima melodia e poesia de Vinícius de Moraes.

O 'follow-up' veio com "Mais brilho nas estrêlas", sendo seguido por 'Hino ao amor' versão de Odayr Marzano para o clássico de Edith Piaf, muito embora tenha tido que competir com Wilma Bentivegna, cuja gravação pela Odeon foi a vitoriosa em São Paulo, enquanto a de Morgana tenha tocado mais no Rio de Janeiro.
Morgana recebe um 'Chico Viola' pelo sucesso de 'Serenata do adeus'; no lado B 'Let's fall in love'  - Morgana canta em inglês com Booker Pittman; note que essa gravação nunca foi incluída em seus albuns subsequentes.
 a 'Revista do Radio' via Morgana como 'fabricada' por paulistas para ser uma 'Maysa loira'.

“A cantora esteve no Rio, participando do que sua gravadora chamou de ‘blitz Morgana’, uma ‘operação’ para consagrá-la, de vez, com os cariocas. A campanha deu resultados positivos, todo mundo, do Rio, querendo conhecer ainda melhor a nova sensação paulista, principalmente a Sociedade Amigos da Marafa, interessadíssima no talento da revelação”.
 
'Revista do Radio' apresenta Morgana aos cariocas.
Morgana & Agostinho dos Santos at Revista do Radio 1959; later in 1960. 
RR (688) 24 November 1962; TV Guide Intervalo very first issue: 13 January 1963.
a 4-page article about Morgana's life at the very first issue of 'Intervalo'.

Em 1958 ganhou o Troféu Impresa de melhor cantora. Seus principais sucessos foram "Arrependida" e "Serenata do adeus", ambas de 1958, "Canção da tristeza", "Conselho", "Este seu olhar", estas de de 1959, "Hino ao amor", de 1960, "Não pense em mim", de 1967, e "E a vida continua" de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. 

Casada com Amaury Garcia de Oliveira.  Tem um filho:  Amaury.

23rd November 1960 - 'Correio da Manhã' comenta as 'gaffes' de Morgana; em seu ultimo LP comete 2 erros na letra do samba 'Menina moça' de Luiz Antonio. Ao invés de dizer 'Confissões não ouça... ela diz: 'audições não ouça'. Mais adiante, Morgana, em vez de dizer: 'o céu, a lua, a terra e o mar, missões de Deus...'  ela canta: 'O céu, a lua, a terra, o mar... missões dever'...

Residencia:  Rua Altino Arantes, 706
Fone:  7-5920 – São Paulo.

Em 1965, voltou ao sucesso interpretando a música-tema da novela ‘O Direito de Nascer’, da TV Tupi.

1958 - 78 rpm
1. Serenata do adeus (Vinicius de Moraes)
2. Let's Fall In Love (Harold Arlen-Ted Koehler)

1. Conselho (Denis Brean-Osvaldo Guilherme)
2. Era uma vez (Lina Pesce)

1. Mais brilho nas estrelas (Nelson Figueiredo-Aloísio Figueiredo)
2. Bem-te-vi (Miranda-Maio)
1958 - Esta é Morgana (com Orquestra Osmar Milani) - 1st album

1. Serenata do Adeus (Vinicius de Moraes) Morgana & Orq. de Osmar Milani
2. Era uma vez (Lina Pesce) Morgana & Orq. de Osmar Milani
3. André de sapato novo (André Victor Correia) Orquestra de Osmar Milani

4. Sombras entre nós (Hervé Cordovil-René Cordovil) Morgana & Orq. de Osmar Milani
5. Dois orgulhosos (Antônio Bruno) Morgana & Orquestra de Osmar Milani
6. Round the world in 80 days (H. Adamson / V. Young) Orquestra de Osmar Milani


1. Conselho (Denis Brean-Osvaldo Guilherme) Morgana & Orq. de Osmar Milani
2. Mais brilho nas estrelas (Aloísio Figueiredo-Nelson Figueiredo) Morgana & Orquestra
3. Solidão (Antônio Bruno) Orquestra de Osmar Milani

4. Porque tu me feres (Gordurinha) Morgana & Orquestra de Osmar Milani
5. Amar ou não amar (Antônio Bruno-Amauri Medeiros) Morgana & Orquestra
6. Mocinho bonito (Billy Blanco) Orquestra de Osmar Milani


Morgana não participa das musicas em negrito, sendo apenas instrumentais de Osmar Milani e sua Orquestra.

troféus recebidos por Morgana em 1958:

‘Astros do disco’ – Canal 7 – 19 troféus e 8 discos de ouro; ‘Roquette Pinto’; ‘Chico Viola’ das Emissoras Unidas por ‘Serenata do adeus’; ‘Campeõs do disco’ dos Diários Associados do Rio de Janeiro; ‘Disco de ouro’ do Globo e revista ‘Radiolândia’; Prêmio Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro - Prêmio Euterpe, escolhida pelo jornal 'Correio da Manhã'; Medalha da Revista do Radio; Troféu do Disco do 'Diário de Notícias'; Campeões em LP da TV Tupi do Rio de Janeiro; Disco de Ouro do 'Diário da Noite' e 'Jornal Feminino'.

1959

1. Hino ao amor (Hymne a l'amour) (Marguerite Monnot-Edith Piaf; v.: Odayr Marsano)
2. Choro por você (Heitor Carillo / Betinho)

1959 - Morgana - 2nd album

1. Choro por você (Heitor Carillo-Betinho)
2. Este seu olhar (Antonio Carlos Jobim)
3. Palavras ao vento (Fernando César)
4. Conoscerti (D'Anzi)
5. Bem-te-vi (Miranda / Maio)
6. Canção da tristeza (Edson Borges-Dolores Duran)

1. Hino ao amor (Hymne a l'amour) (Edith Piaf-Marguerite Monnot; v.: Odayr Marsano)
2. Se amor é isso (Hervê Cordovil)
3. Silêncio (Georges Moran-David Nasser)
4. From this moment on (Cole Porter)
5. O amor (Antônio Bruno-Victorinho)
6. De tanto acreditar (Hervê Cordovil-Renê Cordovil)

Prêmio recebido em 1959: Prêmio Octávio Gabus Mendes – Melhor cantora de TV.
1960 - Morgana - 3rd album

1. Tome continha de você (Edson Borges-Dolores Duran)
2. Encontrei o amor (Fernando César-Roberto Mário)
3. A rosa (Canção da rosa que eu te dou) (Edson Borges)
4. Carinho e amor (Tito Madi)
5. Leva-me contigo (Dolores Duran)
6. Sonata sem luar (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)

1. Menina moça (Luiz Antônio)
2. Falar por falar (Fernando César)
3. Segredo para dois (Fernando César-Ted Moreno)
4. Só falta aqui você (Edson Borges-Sandra Alves)
5. A flor (Vera Brasil-De Rosa)
6. Elegia ao violão (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)
Agosto 1960 - 78 rpm

1. Sonata sem luar (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)
2. Elegia ao violão (Fredy Chateaubriand-
Vinicius de Carvalho )

1960 - 78 rpm
 

1. Este amor (Lina Pesce)
2. A Rosa (canção Da Rosa que eu te dou) (Edson Borges)

Prêmios recebidos por Morgana em 1960: 
Troféu Imprensa – Melhor cantora do ano
Tupiniquim – Melhor cantora de TV
1961 - 78 rpm
 
1. Não Sei Explicar (Art Harris / Fred Jay / Vrs. Teixeira Filho)
2. A distância não vai alterar (P. Kreuder / H. Hilm / V. Aleda / Vrs. Teixeira Filho)


Prêmios recebidos por Morgana em 1961:
Chico Viola – Emissoras Unidas – ‘Não sei explicar’
Troféu Bandeirantes – Melhor cantora de TV
Medalia do Programa ‘Sua Magestade o Cartaz’
O melhor disco da semana – TV Tupi do Rio de Janeiro

1962 
1962 - Morgana, A Fada Loura - 4th album
 
1. Não sei explicar (F. Jay-A. Harris; v.: Teixeira Filho)
2. Cantando baixinho (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)
3. Manhã à toa (Ciloca Madeira-Regina Guerreiro)
4. Tarde outonal (Hector Lagna Fietta-Ribeiro Filho)
5. Até sempre (Hasta siempre) (Mário Clavell; v.:Teixeira Filho)
6. Volte p’ra mim (Come back to me) (Roy Orbison-J. Nelson; v.: Ciro Cruz-Marco Antônio Brandão)
 
1. Canta p’ra mim (Lina Pesce)
2. Amare (Essere Amati) (D. Vignali-Danpa; v.: Ramalho Neto)
3. Teleco-teco nº 3 (Ciloca Madeira-Regina Guerreiro)
4. Fica ou vai (Inara Simões de Irajá)
5. A distância não vai alterar (H. Hilm-V. Aleda-P. Kreuder; v.: Teixeira Filho)
6. Arrependida (Arrepentida) (J. C. Villafuerte; v.: Sebastião Ferreira da Silva)
1962 -  Fuga com Morgana - 5th album 
 
1. Fuga (Renato de Oliveira-Nazareno de Brito)
2. Areia branca (Jorge Smera-Othon Russo)
3. Cravo vermelho (Pernambuco-Sergio Malta)
4. A volta (Ted Moreno-Fernando César)
5. Primeira estrela que vejo (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)
6. Caminho perdido (Luiz Antônio)
 
1. Maldito (Evaldo Gouveia-Jair Amorim)
2. Maldade (Denis Brean-Osvaldo Guilherme)
3. Ninguém no mundo (Nessuno al Mondo) (A. Crafer-J. Nebb; v.:  Wilma Valéria)
4. Quero paz (Ricardo Galeno-Cirene Mendonça)
5. Que tristeza é essa (Silvio César)
6. Para que me enganar (Romeo Nunes-Édson França)
Claribalte Passos reviews 'Fuga com Morgana' for 'Correio da Manhã' on 2nd September 1962. 
 1962 - 78 rpm
 
A. Fuga (Nazareno de Brito-Renato de Oliveira) samba-canção
B. Ninguém no mundo (Nessuno al mondo) (Art Crafer-Jimmy Nebb; v.: Wilma Valéria)

A. Amar (Essere amati) (Dante Vignali-Danpa; v.: Muybo Cury)
B. Cantando Baixinho (Fredy Chateaubriand / Vinicius de Carvalho)

A. Maldito (Jair Amorim-Evaldo Gouveia)
B. Eu a tristeza e você (Sebastião Silva)

A-  Natal de felicidade (Moacyr Franco-Wilton Franco) – Morgana & Moacyr Franco

1963 

1963 - A Romântica Morgana - 6th album 
 
1. Nem Deus (João Roberto Kelly)
2. Espero por ti meu amor (Da un giorno al altro) (F. de Paolis-Galotti-Medini; v.: Claribalte Passos)
3. Confessa agora (Alcyr Pires Vermelho-Hagá Faria)
4. Meu grande amor (Antônio Bruno)
5. Adeus à solidão (Dalton Vogeler)
6. Quatro letras (Vera Brasil-Sivan Castelo Neto)


1. Vê, lembra e pensa (Nazareno de Brito-Adolfo Maclerevsky)
2. Tema do amor triste (Rildo Hora-Clóvis Mello)
3. Tu (Ed Lincoln-Silvio César)
4. Canção do amor perdido (Fredy Chateaubriand-Vinicius de Carvalho)
5. Mágoa (Hervé Cordovil-Julio Atlas)
6. Tristeza triste (Jorge Smera-Paulo Gesta)
 1963 - '5 Estrêlas interpretam a bossa nova' - compilation album 

1. Menino travesso (Moacir Santos-Vinicius de Moraes) - Elizeth Cardoso
2. Chora tua tristeza (Oscar Castro Neves-Luvercy Fiorini) - Marisa
3. Ciúme teu mal (Walter-Joluz) - Carminha Mascarenhas
4. A flor (Vera Brasil-De Rosa) - Morgana
5. Da rosa que nasceu nosso amor (Baden Powell-Heloísa Setta) - Lucienne Franco

1. Céu e mar (Johnny Alf) - Marisa
2. Imenso amor (Luis Bonfá-Maria Helena Toledo) - Lucienne Franco
3. Cravo vermelho (Pernambuco-Sergio Malta) - Morgana
4. Nós e o mar (Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli) - Carminha Mascarenhas
5. Seu olhar (Laís Antunes) - Elizeth Cardoso

1964 - 78 rpm
 
A- Deixa lá (Nóbrega e Souza-Jerônimo Bragança)
B- Luar do nosso adeus (Jorge Smera-Othon Russo)
 
1965 

A- ‘O preço de uma vida’ (Erlon Chaves-Romeu Nunes) tema da novela ‘O direito de nascer’, com orquestra de Renato de Oliveira - Continental 33-375
B- ‘Sonata do amor maior’ (Alfredo Borba-Edson Borges) com orq. de Renato de Oliveira

1966 

Continental 33-468

A- Não te perdoarei (Non ti perdonerò) Rizzati-Arden-Failla; versão: Maio-Miranda
B- Quando êsse amor chegar’ (Don’t just stand there) B. Ross-L. Crane; v.: Alexandre Cirus

1967 
 
1. Não pense em mim (Non pensare a me) (Eros Sciorilli-Alberto Testa;  v.: Nazareno de Brito)
2. Setembro (Septiembre) (Jorge Domingo-Esperanza Navarro; v.:  J. Bragança)


Note: Morgana kept or recording for Fermata, mostly singles, for a few years.

Morgana was still news in 1967 - see Melodias article about her latest release 'É a minha vez' b/w 'Montanha azul'; Morgana also claimed she was the owner of many apartment buildings in Sao Paulo, Praia Grande & Bertioga-SP. 
Alvaro, Mamma Bruschetta, Morgana & Leila Silva em foto de 1991.

Morte trágica de Morgana

noticia publicada na revista "Istoé-Gente" de 17 Janeiro 2000.

Faleceu tragicamente em 4 Janeiro 2000, aos 65 anos, quando após uma tentativa de suicídio com um tiro na boca, foi socorrida e levada a um hospital. Ao despertar e perceber que estava ligada a aparelhos, Morgana arrancou os tubos que a mantinham viva e faleceu imediatamente. Foi sepultada no cemitério Quarta Parada, em São Paulo. 

Varias cantoras contemporânea de Morgana disseram que ela estava enfrentando um período de depressão e só pensava em poder voltar a cantar novamente. A cantora Bianca Bellini, morava na Moóca, perto da família de Morgana. Em 1957, pegavam o bonde juntas para irem cantar no auditório da Radio Record, na rua Quintino Bocaiúva. O pai de Bianca era marceneiro. Bianca diz que no final dos anos 90, Morgana tinha períodos de depressão, chorava ao telefone e só sonhava em voltar aos palcos. Tinha tido três meninos com o Amaury, que já estavam adultos.

Morgana organizou um meio de cantar acompanhada de um conjuntinho musical  de garotos, amigos de seus filhos, que moravam no mesmo condomínio e depois de vários ensaios, já se apresentava em festas da redondeza, tendo, inclusive, feito algumas gravações 'demo' com eles. Nessa época, ela foi entrevistada por José Carlos Gomes, DJ da Radio Difusora Oeste, de Osasco, que tomou a totalidade do programa dominical dele. Morgana estava muito contente e respondeu vários telefonemas de antigos fãs que foram levados ao ar pela emissora. O próximo passo seria a TV.

Alguém lhe sugeriu que fosse à TV Globo pedir uma chance ao Faustão para aparecer em seu programa dominical. O gordo disse-lhe que se ela pagasse 10 mil dólores, com certeza, participaria de seu programa. Morgana voltou p’ra casa revoltada e deprimida, pegou o revolver do marido (que trabalhava com firma de ‘segurança’) e deu um tiro na boca.

Essa história foi confirmada pela cantora Esterzinha de Souza, casada com o maestro Cyro Pereira.  

GILDA LOPES

Gilda Lopes was like a bird that soared through Brazilian skies in 1962, singing a French song in Portuguese about a lonesome troubador who lived in old Toledo in Spain. Gilda was stunningly attractive and had a soaring soprano voice that resembled that of Peruvian legend Yma Sumac.

Gilda Lopes went to # 1 in the charts with 'O trovador de Toledo'. Odeon soon released a whole album by her in which there was a magnificent rendition of  'A hora do amor', an adaptation of Léo Delibes' 1874's 'Les filles du Cadiz'.

Gilda won all the possible musical accolades for 1962, and everything seemed to go her way. She had big  plans to make a detour into Bossa-Nova for the foreign market and maybe become a movie star too for she had all the required looks. Fate, unfortunately, was brutal with Gilda.  

Gilda had previously lived in Italy and had a son who was 9 years old and lived with Gilda's mother in Porto Alegre-RS in southern Brazil. As Gilda had a full-on year she was tired of travelling and thought she'd have her son Jean and her mother come to São Paulo in December 1962, so they could spend the Xmas holidays together. So it was arranged for Jean and his grand-mother to take a bus in Porto Alegre and drive all the 850 km to São Paulo. Gilda was against flying due to some recent air-crash. When Gilda's mother and son were in the last third of their trip, they had just left Curitiba-PR, 340 km short of their goal, there was a terrible accident with the bus in which they were in. Jean lost his left arm and was between life and death for a time. Jean eventually recovered from the horrific accident but Gilda never quite recovered from the mental pain. She blamed herself for the tragedy.

Gilda still recorded 'Similau' for Odeon which was a moderate hit.. and after that Gilda sort of 'disappeared' from the media. No one knew whatever happened to Gilda Lopes, the meteor that burned so brightly in the Brazilian skies for a few months in 1962. Some said she had migrated to the USA, others said she had gone back to Europe. Up today no one actually told whatever happened to Gilda.

Gilda Lopes actually died in July 2009. We know that because her son Jean Bayard Schneider wrote a note in his Facebook page. But we don't know any details of how she died and most importantly how she lived from 1963 until the end. 

GILDA LOPES faleceu em Julho de 2009

Só hoje, 3 de Novembro de 2012, é que fiquei sabendo da triste notícia, lendo uma postagem no YouTube, escrita por seu filho Jean Bayard do início de 2012:

Caros fãs de minha mãe querida, inesquecível e de abençoada memoria Gilda Lopes - nome oficial Guiomar Schneider. Infelizmente ela faleceu em julho de 2009. Sou Jean Bayard Elam Schneider, seu único filho do casamento com Eliezer Schneider. Eu, a minha esposa e nossos três filhos e duas netinhas somos imensamente gratos a todos seus fãs, por eternizarem a voz, o sorriso e a beleza através da divulgação de seus sucessos musicais e entrevistas postadas na internet. Obrigado, Jean Bayard.

covers of 'Revista do Radio' & 'Manchete'

GILDA  LOPES

Guiomar Schneider nasceu em 17 Junho 1937 em Porto Alegre.

Trabalhava na embaixada brasileira em Roma nos anos 50, quando foi convidada para um programa em homenagem ao Brasil na Radio Roma, onde interpretou 'Lamento de escravo', de sua autoria. No dia seguinte recebeu convites da RCA Italiana e da Fonit-Cetra para gravar. Apareceu em programas de TV como 'Musichieri' e 'Noi Loro', e no radio em '24a. Hora' e 'Musicale', além de se apresentar em night-clubs como Open Gate e Kit Kat.

Foi figurante no famoso 'Dolce Vita' de Federico Fellini e outros filmes menos famosos. Apareceu em reportagens em revistas como 'Settimana' e 'Il Tempo'. Mesmo com sucesso na Italia, resolveu retornar ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em Maio de 1959.

Suas primeiras gravações foram feitas em 1960, pela gravadora Continental, quando registrou os boleros 'Lola', de R. Adler, J. Rosa e João Roberto Kelly, e 'Delirio', parceria da própria Gilda com João Roberto Kelly.

Em 1962, contratada pela Odeon, 'estourou' com 'Trovador de Toledo', musica francesa de Giraud & Drejec sobre um misterioso habitante de um castelo de Extremadura, na Espanha, em versão de Romeu Nunes. Apareceu em praticamente todas as capas de revistas do país. No final do ano de 1962 uma tragédia aconteceu em sua vida: seu filho Jean, de 9 anos de idade sofreu um grave acidente nos arredores de Curitiba-PR, quando se deslocava de Porto Alegre à São Paulo, justamente para visitar a mãe, que não podia ir ao Rio Grande do Sul devido aos muitos compromissos. Jean ficou entre a vida e a morte, e acabou perdendo um dos braços. Gilda entrou em grande depressão, que finalmente acabou com sua vitoriosa carreira canora, que tinha começado com o canto lírico ainda menina.

Gilda Lopes sumiu do notíciário. Uns diziam que ela tinha se mudado para os Estados Unidos, mas nunca foi provado nada sobre seu paradeiro. 

 Gilda Lopes' biggest hit 'O trovador de Toledo' single sleeve.
 Gilda Lopes only album.

Article in 'O Cruzeiro' on 16 January 1960, about GILDA LOPES, who would be successful 2 years later.

Em 1950, um dos maiores brotos que já circularam pela famosa Rua da Praia, Gilda Lopes, quis ser Rainha dos Estudantes Gaúchos. Foi. E êles ficaram tão entusiasmados que quiseram, que ela fôsse “Miss” Pôrto Alegre nesse ano. Gilda tinha, porém, 15 anos e, pelo regulamento, não poderia tirar o 1o. lugar. Conquistou um mais do que honroso 2.º pôsto.

Alguns anos mais tarde, Gilda quis ir à Itália. Foi. Ganhou uma média de 3 serenatas por cidade que visitou. Desde menina adorava música - cantar e compor. Convidada, um dia, para participar de um programa da Rádio Roma, em homenagem ao Brasil, cantou “Lamento de Escravo”, de sua autoria. No dia seguinte recebeu, pelo telefone, duas propostas para gravar, uma da RCA, outra da Fonit. Cantou depois na TV, Musichieri, Noi Loro, rádio, 24.ª hora, Musicale, “boites”, Open Gate, Kit Kat, fêz cinema, uma co-produção ítalo-americana com Mamie Van Doren. Em pouco tempo era notícia na Itália, saindo sôbre ela reportagens em “Settimana”, “Il Tempo” etc. Mas ela queria vencer era no Brasil. E em maio de 1959, desembarcava no Rio.

Quis gravar, então, um disco que acaba, aliás, de ser lançado: “Lola”, uma versão & “Delírio”, de sua autoria e João Roberto Kelly. Quer sair agora para um LP, o que vai ser feito. A voz de Gilda alcança 4 oitavas.

Como a Lola de seu disco, tudo que Gilda quer, Gilda tem. Estudou piano e ballet dos 5 aos 14 anos. Leu, principalmente os inglêses James Hilton, Somerset Maugham, Aldous Huxley e Bernard Shaw. Adora Beethoven, Bach e Chopin. É janista e ferrarista. Compõe depois da meia-noite. Usa “Fleur de Rocaille”. Não sossega enquanto não resolver o seguinte problema: “Por que nascemos?”. Estudou sapateado e castanholas. 

Tem dois pássaros em casa: um canário e um cardeal. Está fazendo, para seu próprio govêrno, uma análise científica do espiritismo. Pretende, um dia, fazer o curso de Medicina. Até hoje, realmente, conseguiu tudo o que quis. O que não significa, contudo, que sua capacidade de querer já esteja esgotada e que não haja mais “chance” para um de todos nós se tornar, um dia, uma das metas a ser atingida por Gilda “Lola” Lopes.

'Correio da Manhã' 8 March 1960; Gilda Lopes had been on the cover of 'Manchete'; everything was ready for her to become a star but somehow it did not happen. Gilda had to wait for another 2 years until she recorded the right song to become a 'new sensation' in September 1962. 


Gilda Lopes na revista 'Radiolândia' 12 Março 1960.
Gilda na revista 'Melodias'.

Revista do Radio, 7 Setembro 1963; Fatos & Fotos, 13 Abril 1963.

Gilda Lopes na revista Radiolândia, 1963.
'Música & Letra', April 1963.